Guia para lentes de distância focal fixa: Encontrando a lente certa para sua aplicação, passo a passo
As lentes de distância focal fixa estão entre os componentes mais importantes de um sistema de visão artificial. Elas determinam quais detalhes são visíveis, qual é o tamanho do campo de imagem e quão confiável é a avaliação. Este guia o orienta passo a passo pelos critérios mais importantes que você deve considerar ao fazer sua seleção – desde o tamanho do sensor até a distância focal e a montagem, passando por condições especiais de aplicação.
1. Tamanho do sensor – a base de toda seleção de lentes
Antes de pensar na distância focal ou na abertura, você precisa determinar o tamanho do sensor da sua câmera. A lente deve projetar um círculo de imagem que cubra totalmente esse sensor – caso contrário, pode ocorrer vinheta ou queda nos cantos (e potencialmente redução da resolução nas bordas). No filtro de produtos, você pode escolher entre formatos como 1/3", 1/2", 2/3", 1", 4/3" ou full frame em “Tamanho do sensor”. Sempre opte pelo maior sensor que você realmente usa ou deseja usar. Uma lente para 2/3" também funcionará em uma câmera de 1/2", mas não o contrário.
Dica prática:
É melhor planejar uma pequena reserva. Se você usar uma câmera de alta resolução com um sensor maior no futuro, a lente ainda será compatível.
2. Distância de trabalho e campo de imagem — calculando a distância focal correta
O segundo passo é definir a distância de trabalho e o tamanho do campo de imagem (área do objeto a ser capturada). Juntamente com o tamanho do sensor, eles determinam a distância focal necessária para capturar seu objeto ou área por completo.
No localizador de produtos, você encontrará os campos “Distância focal (mm)” e “Distância de trabalho (mm)”. Como regra geral: quanto maior a distância de trabalho ou menor o campo de imagem desejado, maior deve ser a distância focal – e vice-versa.
Exemplo:
Se você deseja capturar uma área de 200 mm × 150 mm a uma distância de 400 mm com um sensor de 1", a distância focal ideal é de aproximadamente 25 mm. (Aproximação de primeira ordem: f = tamanho do sensor × distância de trabalho / campo de imagem).
Dicas práticas:
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Distâncias focais curtas (grande angular) são vantajosas em espaços confinados, mas aumentam a perspectiva.
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Distâncias focais mais longas são adequadas para distâncias de trabalho maiores e reduzem a perspectiva; úteis para medições precisas.
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Se você estiver em dúvida entre dois valores, é melhor escolher a distância focal ligeiramente mais curta – isso mantém o campo de visão flexível (você pode cortar ou ajustar a distância de trabalho).
3. Tipo de montagem – a interface entre a câmera e a lente
A montagem determina como a lente e a câmera são conectadas mecanicamente e opticamente uma à outra. Na imagem industrial, a montagem C é de longe o padrão mais comum. É adequada para sensores de até aproximadamente 1,1” de tamanho e oferece uma conexão sólida e resistente a vibrações.
No filtro de produtos, você pode filtrar especificamente por “Tipo de montagem” – por exemplo:
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Montagem C: padrão para a maioria das câmeras industriais (distância focal da flange de 17,526 mm).
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Montagem CS: design compacto, especialmente para câmeras pequenas (observação: distância focal do flange mais curta, 12,5 mm – as lentes com montagem C requerem um anel espaçador de 5 mm; as lentes com montagem CS não focam em câmeras com montagem C).
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Montagem F: para sensores maiores; conexão baioneta robusta com travamento seguro.
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Montagem M42 / T: para câmeras de varredura linear ou círculos de imagem grandes. ; observe as variantes de rosca (M42×1 industrial, M42×0,75).
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M58: para círculos de imagem muito grandes e NA alto, comum em sensores de varredura linear e de grande área.
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Montagem S (M12): para sistemas mini ou integrados com espaço limitado.
Dica prática:
Sempre escolha a montagem que corresponda à câmera.
Ao mudar para um sensor maior → considere uma montagem F.
4. Abertura e profundidade de campo – aproveitando ao máximo a luz
A abertura (íris) controla a quantidade de luz que incide no sensor e afeta diretamente a profundidade de campo. Um número F baixo (por exemplo, F1.4) admite mais luz, mas reduz a profundidade de campo. Números F mais altos (F8 ou F11) aumentam a profundidade de campo, mas exigem mais iluminação e podem introduzir difração em pixels pequenos ou alta ampliação.
No filtro de produtos, você pode filtrar por “Abertura”.
Dica prática:
Escolha uma abertura bloqueável para sistemas em série. Para aplicações de alta velocidade ou pouca luz, uma lente particularmente rápida (por exemplo, F1.4) é benéfica, desde que a profundidade de campo disponível permaneça suficiente.
5. Resolução e tamanho dos pixels – nitidez até os mínimos detalhes
Quanto menor o tamanho do pixel do sensor, maior deve ser o poder de resolução óptica (MTF) que a lente deve oferecer. O que importa é o espaçamento entre pixels, não apenas a contagem de megapixels. Um sensor de 12 megapixels com um tamanho de pixel de 3 µm exige mais da óptica do que um sensor de 2 megapixels com pixels de 5 µm. Verifique se a lente mantém MTF suficiente nas frequências espaciais implícitas no tamanho do pixel (as especificações do fornecedor são fornecidas para um número F e uma distância de trabalho determinados).
No filtro de produtos, os filtros “Resolução” ou “Tamanho mínimo de pixel” ajudam a restringir as séries adequadas. Escolha uma lente cujo tamanho mínimo de pixel seja ≤ ao tamanho de pixel da sua câmera. Alguma margem ajudará a evitar o desfoque visível e a tirar o máximo proveito da sua câmera.
Dicas práticas:
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Verifique o MTF no número F e na distância de trabalho escolhidos, especialmente perto da frequência de Nyquist do sensor e em direção às bordas do campo.
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Equilibre a profundidade de campo (DoF) e a difração: à medida que os pixels ficam menores, use números F mais rápidos. Lembre-se de que o número F efetivo aumenta com a ampliação, então você pode precisar de ainda mais luz.
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Para pixels muito pequenos ou uso espectral amplo, prefira séries apocromáticas/de alta resolução para manter o MTF e controlar erros cromáticos.
6. Espectro e comprimento de onda – nem toda a luz é igual
As lentes são geralmente otimizadas para a faixa visível (400–700 nm). Na visão artificial, no entanto, NIR (infravermelho próximo) ou SWIR (infravermelho de onda curta) também são comuns e impõem diferentes exigências ao vidro, revestimentos e correção cromática.
No filtro de produtos, você pode usar “Faixa de comprimento de onda” para filtrar especificamente lentes para espectros especiais:
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VIS (Visível): Revestimento padrão para imagens coloridas e monocromáticas em 400-700 nm.
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VIS-NIR: Design/revestimento de banda larga, para manter o foco/MTF em VIS e NIR (normalmente 400–900/1000 nm), comum em muitas lentes industriais.
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SWIR: designs dedicados com vidro e revestimentos especiais para 900–1700 nm (sensores InGaAs) – por exemplo, para detecção de materiais ou umidade, inspeção de silício (>~1100 nm).
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UV: Materiais/revestimentos com capacidade para UV (frequentemente sílica fundida) para normalmente 200-400 nm; utilizados para aplicações de fluorescência ou microscopia.
Dica prática:
Se você usar iluminação NIR, sempre escolha uma lente compatível com VIS-NIR. As lentes VIS padrão podem apresentar mudança de foco e transmissão reduzida no NIR. Para câmeras SWIR ou UV, você precisa de séries projetadas especificamente para essa finalidade – as ópticas padrão não transmitem nem fornecem imagens nítidas nesse caso.
7. Design mecânico e influências ambientais
Além das especificações ópticas, o design mecânico também é crucial para a estabilidade a longo prazo do sistema. Vibrações, mudanças de temperatura ou poeira/umidade podem alterar as configurações de foco ou íris se a lente não for construída para tais condições. Nas especificações do produto, parâmetros como “Dimensão/Peso”, “Classe de Proteção IP” ou “Classificação de Choque e Vibração” ajudam você a selecionar os modelos adequados.
Recomendações:
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Design compacto: quando o espaço de instalação é limitado (por exemplo, em robôs ou estações de teste).
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Modelos robustos: grupos de lentes coladas, foco/íris bloqueáveis, recursos antirrotação – ideais para vibração/choque contínuos.
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Variantes com classificação IP: caixas/janelas frontais vedadas para ambientes úmidos, empoeirados ou higiênicos (IP65/67, opções de grau alimentício).
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Série com compensação de temperatura: designs atérmicos para manter o foco estável, apesar das mudanças na temperatura ambiente.
Dica prática:
Se o sistema funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, ou estiver exposto a vibrações, choques ou ciclos de temperatura, nunca economize na qualidade da construção mecânica. Uma lente reforçada manterá o foco e a calibração estáveis por anos.